Clássico com direito a fuga de campo
Um dos maiores clássicos do interior brasileiro tem diversas histórias para serem contadas, porém, uma ficou marcante. Em 1977, o Botafogo de Ribeirão Preto caminhava rumo ao título do primeiro turno da Taça Cidade de São Paulo, entretanto, no dia 1º de maio, o Pantera enfrentaria o seu maior rival, o Comercial.
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| O meio-campista Lorico marcou o único gol da vitória do Botafogo de Ribeirão Preto no clássico Come-Fogo (Foto: Jose Pinto/Ronaldo Kotscho) |
Aquele clássico come-fogo, travado e disputado, no Estádio Santa Cruz, com um público de 31.369 pagantes seria um dos mais falado por toda a imprensa na época, especialmente pela Folha de S.Paulo e pela Revista Placar.
Assim como em toda competição, o Botafogo conseguiu ser superior na partida, com jogadas de Sócrates, Zé Mario e João Carlos Motoca, porém, as estrelas daquela geração de ouro não conseguiram abrir o placar.
O meio-campista e experiente Lorico foi quem balançou as redes da equipe comercialina, aos 39 minutos do primeiro tempo, após um cruzamento do jovem Zé Mário. Entretanto, a jogada do gol não seria a mais lembrada daquele fatídico clássico Come-Fogo.
A partida foi apitada pelo árbitro José Favilli Neto. Neto não marcou um pênalti em cima de Sócrates. Irritado, o técnico Jorge Vieira tentou entrar em campo, porém, não foi isso que gerou uma confusão generalizada. No segundo tempo, o zagueiro Léo, do Comercial, agrediu Sócrates, e o centroavante Arlindo, do Botafogo, e o defensor Leonardo, do Leão do Norte, após agressão mútua, foram expulsos.
No futebol atual, dificilmente você verá um técnico pedindo para seus jogadores simularem contusões para impedir uma derrota maior. Pois é, foi isso que o treinador comercialino, Alfredo Sampaio, ordenou aos seus jogadores, naquele momento, buscando o fim da partida.
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| Em pé: Lula, Laudemir, Wagner, Leonardo, Léo e Edimar. Agachados: Zuza, Vander, Ziquita, Tião e Carlos Hansen (Foto: Igor Ramos/Come-Fogo – Tradição e rivalidade no interior do Brasil) |
Com essa ordem, três jogadores do Comercial, Laudemir, Vander e Zuza, abandonaram a partida. O Leão do Norte ficou comente com seis jogadores, e por isso, o árbitro Neto foi ‘obrigado’ a terminar a partida.
Após o clássico, o Pantera empatou com o Palmeiras (0 x 0) e venceu o Paulista de Jundiaí (3 x 0), e garantiu a vaga na semi-final da Taça Cidade de São Paulo.
Na semi-final, o Botafogo empatou com o Guarani e chegou a tão sonhada final por ter a melhor campanha da primeira fase. Da mesma forma, o Pantera encarou o São Paulo na decisão, empatou por 0 a 0 e conquistou o título da competição no Estádio Morumbi.
JOGO: BOTAFOGO-SP 1 x 0 COMERCIAL
1º de maio de 1977 – Estádio Santa Cruz
Árbitro: José Favilli Neto
Público: 31.369 torcedores
Botafogo-SP: Aguilera, Wilson Campos, Nei, Manoel e Mineiro; Mário, Lorico e Sócrates; Zé Mário, Arlindo e João Carlos Motoca. Técnico: Jorge Vieira.
Comercial: Lula, Laudemir, Edmar, Leonardo e Léo; Wágner (Tim), Carlos Hansen, Zuza e Vander; Ziquita e Tião (Mário). Técnico: Alfredo Sampaio.
Gol: Lorico (39′ 1T).
Expulsos: Arlindo (Botafogo-SP), Léo e Leonardo (Comercial).
Fontes:
Revista Placar – 6 de maio de 1977 – edição 367.
Jornal Folha de S. Paulo – 2 de Maio de 1977 – ano 56 – número 17.561.
Livro ‘Come-Fogo – Tradição e Rivalidade no Interior do Brasil’ – Igor Ramos – 1ª edição – 2013.



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